O quarto em chamas, de Michael Connelly

Por que li “O quarto em chamas”, do Michael Connelly?

Eu já confessei aqui no post do livro Southernmost – Rumo ao sul que eu gosto de comprar livros pela capa. E no caso d’O quarto em chamas, não foi diferente.

Estava rodando o site da TAG Livros quando vi esta capa e fui ler a respeito da história, e acabei ficando bastante curioso. Eu ando lendo bastante romance policial porque ando curtindo o clima de suspense e como pequenos detalhes vão ramificando a história e dando novas possibilidades e interpretações. Vale lembrar que ele também recebeu vários prêmios e se manteve no top dos mais lidos, então ruim ele não é!

Ele foi distribuído pela assinatura Inéditos em agosto de 2018, então o adquiri pela loja (já que ainda não assinava o clube neste período).

Já deixei claro aqui no blog antes que amo capas minimalistas, e esta não fugiu da regra!

Projeto gráfico contextualizado

Eu gostei bastante da capa porque ela é minimalista e vetorizada. E os contrastes das cores também me chamou a atenção. Eu gosto quando “pouca coisa quer dizer muita coisa”. Os laranjas do fogo e o M em chamas são muito bonitos.

As edições antigas da TAG vinham com folders que são posters. Neste livro, eles fizeram uma arte de um painel com informações de jornal, datas e fotos, e linhas cruzando informações. Eu achei a ideia muito legal, mas a diagramação um pouco confusa. Aliás, tem pouca informação neste painel, se for ler com atenção; muitos elementos e poucas informações. Queria ter lido mais a respeito do universo policial da região e da época.

Eu gostei MUITO desta arte de mural com provas e linhas ligando informações.

A parte de trás do painel foi feita por Rafael Sarmento e é um poster com os dois personagens, Bosch e Soto. Eu gostei DEMAIS desta arte meio ‘filme policial dos anos 1990’, bem aquelas capas de videocassete. A contextualização foi incrivelmente bem feita!

Sério, eu vejo tranquilamente uma fita VHS com essa capa!

Mas… Vamos falar do livro!

Sobre o livro

Entre os casos não resolvidos da polícia de Los Angeles, não é comum que a vítima morra uma década depois do crime. Então, quando um homem falece em decorrência das complicações de uma bala perdida que o atingiu há dez anos, o detetive Bosch é designado para trabalhar em um caso cujo cadáver é recente, mas as demais provas estão praticamente desaparecidas. Com sua nova parceira, a jovem detetive Lucia Soto, Bosch precisa resolver um crime complexo, envolto em esquemas políticos.

A partir da bala alojada na coluna da vítima, eles deverão desenterrar informações antigas e perigosas, que revelam que talvez o tiroteio não tenha sido tão acidental quanto parecia ser. Neste novo thriller eletrizante, Michael Connelly mostra mais uma vez por que Harry Bosch é considerado pela crítica e pelos leitores um dos melhores personagens de ficção policial.

Quarta capa da edição da TAG Livros

O livro ganhou uma série de premiações (e é por isso que foi lançado pela TAG), tais como:

  • Quatro semanas na lista de mais vendidos do Thw New York Times;
  • Mais de 74 milhões de exemplares vendidos; e
  • Duas adaptações cinematográficas.

Eu gostei da relação entre os dois protagonistas, Bosch e Soto. É claro que ele teria mais destaque que ela, já que a narrativa é em torno dele (e também é um personagem recorrente da literatura do Michael Connelly), mas a Soto teve os seus destaques. Dentro do arquétipo “dupla com um protagonista proeminente e outro de back up”, eles foram muito bem desenvolvidos.

Não apenas no formato, mas no contexto. Ela é uma detetive novata e o departamento de investigação e, de acordo com a nova política local, estão montando duplas de trabalho, e colocaram ela com o renomeado Bosch. Enquanto Bosch guia as investigações com seu expertise, Soto aprende a ajuda com backups, pesquisas e informações, além de aprender muito.

É ela, aliás, que dá o plot twist da história, que dá nome ao livro.

A genialidade de um crime em segundo plano

A genialidade desta obra está nos dois plot twists que o enredo tem. O primeiro é quando você descobre que a Soto está, paralelamente, investigando um outro caso muito antigo de um incêndio em uma creche clandestina. Ao ser pega no flagra, Bosch descobre que ela foi uma das únicas sobreviventes do caso e quer fazer justiça.

Bosch ficou tenso quando ela levou a mão direita ao lado esquerdo do corpo, mas a mão se dirigiu ao pulso esquerdo. Soto desabotoou o punho da camisa e puxou a manga raivosamente. Virou o antebraço para revelar a tatuagem na parte interna. Ela uma lista de Descanse em Paz com cinco nomes em uma lápide: Jose, Elsa, Marlena, Juanito, Carlos.

– Eu estava naquele porão quando o incêndio começou, ok? Esses são meus amigos. Eles morreram.

Bosch foi lentamente para a sua mesa e puxou a cadeira para se sentar. Olhou para os fichários por um momento e depois de volta para a sua parceira.

– Você está tentando resolver esse negócio. Por conta própria – disse.

Soto balançou a cabeça e puxou a manga de volta.

Página 86, capítulo 9

E este crime leva o nome do livro, “O quarto em chamas”. O que me deixa surpreso o nome do livro ser a respeito deste caso em segundo plano, supostamente menos importante. E a investigação deste crime acontece nos “intervalos” de uma brecha do caso do Merced, o principal ao qual foram designados.

O plot twist de um terceiro crime

Acho que uma das partes mais geniais deste livro é a investigação “fora da investigação”, que trouxe à tona um terceiro crime; este influenciando toda a história. Quando Bosch estava analisando os jornais da época em que o incêndio criminoso foi cometido, começou a olhar as outras notícias para entender o momento da época e se alguma coisa o elucidava na investigação. Sei que ele repara em uma notícia impressa na página de trás, que ele só de dá conta quando coloca o jornal contra a luz. Aqui, mostro a parte de sua descoberta:

Bosch virou o recorte para examinar de novo a foto da mulher e então releu a matéria. Quando foi mais uma vez ler a continuação na página seguinte, outra matéria atraiu seu olhar. Não tinha ligação com o incêndio de Bonnie Brae. Era uma coluna com notícias policiais. A primeira chamou sua atenção.

Bandidos Armados Atacam Empresa em Mid-City

Dois mascarados fortemente armados invadiram o EZBank sexta-feira e agrediram os empregados antes de escapar com as reservas em dinheiro do estabelecimento, informou a polícia de Los Angeles.

O ousado assalto ocorreu em plena manhã, na esquina do agitado cruzamento dos bulevares Wilshire e Burlington. O detetive do DPLA Augustus Braley disse que os mascarados chegaram às dez e meia, em um sedã escuro. Os dois bandidos deixaram o carro com as portas abertas e entraram na empresa de desconto de cheques.

(…)

Página 186, Capítulo 19

A partir desta notícia, Bosch e Soto começaram a traçar paralelos entre os dois crimes cometidos. Descobriram que o incêndio criminoso foi apenas para despistar os policiais e bombeiros, levanto quase todo mundo para lá (era relativamente perto), deixando poucos policiais disponíveis para irem ao EZBank quando o crime ocorresse.

A partir daí, a história muda de perspectiva, pois vão atrás de moradores do prédio em chamas, vítimas que trabalharam no EZBank no dia, policiais que cobriram as chamadas e investigações e começaram a traçar um paralelo entre todos os nomes, lugares e situações. E esse paralelismo transcende à investigação principal entre balas perdidas, ricos camuflando verdades e pessoas inocentes pagando por crimes que não cometeram.

Gostei? Recomendo?

Gostei do livro? Sim! O livro mantém aquele momento de tensão contínuo do começo ao fim que toda história de investigação garante. E as peças dos quebra-cabeças das 3 investigações são as mais variadas e aleatórias (até o encaixe das 3 investigações entre si). E a dinâmica da dupla Bosch-Soto é muito dinâmica e fácil de fluir.

Recomendo a leitura? Sim, MUITO. Aliás, este é um ótimo livro para introduzir uma pessoa no universo literário. Os capítulos são de fácil leitura, a história é simples e ao mesmo tempo cheia de detalhes conectados e o gênero favorece muito.

O autor é um célebre escritor com muitas vendas… E faz jus ao nome!

Fiquei muito feliz de ter comprado um livro pela capa e ele ter sido uma excelente experiência. Eu vou com certeza falar dele para meus amigos e também vou indicá-lo para outros. Uma leitura fácil, envolvente, tensa e com reviravoltas muito bem escritas. Recomendo a todos que curtem romance policial e também aos que, assim como eu, estão descobrindo esse gênero agora!

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